Acabei aquele que ‘e provavelmente o melhor livro de Historia que alguma vez li. Chama-se “The Armada” , e ‘e , naturalmente , sobre a frota que ficou conhecida como La Invencible Armada que em 1588 Filipe II mandou para o Canal da Mancha com o objectivo ultimo de invadir a Inglaterra.Foi publicado nos Estados Unidos em 1959 , o autor chama-se Garret Mattingly e ‘e considerado o estudo definivo.
As razoes pelas quais andei duas semanas absorvido naquilo sao varias.Uma , alem de ser um academico consumado e de ter revolvido todas as fontes desde o espolio imenso do Arquivo Geral de Simancas ate cartas privadas de marinheiros ingleses o homem consegue imprimir um ritmo e um estilo que fazem com que o livro se leia quase como um romance, as vezes como se esivessemos a ver um filme.Somos testemunhas da execucao de Maria , Rainha dos Escoceses. Espreitamos Filipe II na solidao monastica do Escorial , senhor de meio Mundo.Corremos as barricadas de Paris quando o Duque de Guise humilhou Henrique III. Entramos com Drake ‘a bolina na Baia de Cadiz para pegar com os Castelhanos.E depois tomar Sagres. Acompanhamos Alexandre Farnese , Duque de Parma e o maior genio militar da epoca , a inspecciconar as obras do cerco de Sluys , nos Paises Baixos com a sua coleccao de mercenarios que dava pelo nome de Exercito Espanhol.
Do Cais das Colunas ( ou do que estaria la antes de 1755) vimos as preparacoes dos mais de 150 navios que constituiam a Armada.Entre eles 10 galeoes portugueses , a perola e o esteio do Imperio. Vimos a defesa a ser praparada em Plymouth , e o trabalho de diplomacia e espionagem envolvido num tempo em que as noticias levavam pelo menos 10 dias entre Londres e Madrid e os pulpitos das igrejas faziam o papel da televisao hoje em dia.Sentimos a angustia do velho Duque de Medina Sidonia ao qual foi confiado o comando da Empresa com a frota ja em Lisboa, um comando que o Duque nao queria nem se sentia confiante nem capaz de exercer mas nao podia recusar.Obrigacao da nobreza.Vimos o fanatismo religioso que permeia toda a epoca , os augurios , profecias e sermoes , o papel pernicioso do clero ( 150 padres e frades viajaram com a Armada ) , sempre pronto a instigar violencia , a distorcer os factos e oferecer os conselhos mais cretinos mas raramente disposto a expor-se ao minimo perigo ou desconforto.A Fe’ inabalavel dos dois lados , numa epoca em que todos eram fundamentalistas e que se resume nas palavras de Juan Martinez de Recalde, provavelmente o comandante mais experiente da Armada , nas vesperas da partida e consciente da superioridade naval dos Ingleses : ” Largamos para Inglaterra na esperanca confiante de um milagre”.
A seguinte razao ‘e que accao se passa em aguas que me sao familiares, desde o Golfo de Cadiz ao Cabo de S.Vicente , da bela Corunha a Ushant ,do Cabo Lizard a Calais.
A terceira razao ‘e uma especie de masoquismo historico , o estudo vem confirmar a minha crenca de que o Fim comecou em Alcacer Quibir, e durante todo o livro emergem as pequenas provas da miseria e desgraca que foi para Portugal o dominio dos Filipes.Como a sangria e pilhagem dos ja magros recursos e o desvio da que foi em tempos , possivelemente, a mais poderosa frota do Atlantico para a Empresa de Inglaterra a caminho da destruicao , sangue e tesouro portugueses lancados contra o aliado de sempre , a mando do inimigo de sempre.
No meio da tristeza do desperdicio , da raiva contra o Destino que nos perdeu a Dinastia , a Independencia e o Imperio , resta o que nunca se perde, a honra e o lugar que vai ser sempre nosso na Historia .
Fica esta frase , no original porque me soa melhor:
” The galleons of Portugal were manned and commanded by veterans who would scarcely have panicked at the mere noise of a cannonade.Throughout all the rest of the fighting no squadron in either fleet behaved with greater gallantry.”
Arquivo de Setembro, 2007
A Armada
Modus Operandi
Em primeiro lugar cabe dizer que o vou expor a seguir ‘e uma ideia , nao sei bem como ‘e que se enquadra nos processos e regulamentos que regem as empresas e as actividades economicas em Portugal.Arrisco-me a a utilizar termos de modo impreciso e a que alguem com mais conhecimentos de gestao e economia do que eu ( o que nao ‘e nada difcil) me venha dizer que ou ‘e impraticavel ou ilegal , mas sao precisamente essas opinioes que eu procuro.
A participacao na Companhia pode fazer-se em tres modos diferentes:
1-Accoes , chamemos-lhe “classe A” , que serao postas a venda assim que a Companhia entrar em funcionamento. Estas accoes serao de valor baixo ,e espero que com o minimo de encargos possivel e sao titulo de uma determinada percentagem do capital e activos . Estes activos serao dois barcos , um site e um plano de actividades anual para uma carteira de clientes/participantes.
Um determinado numero de accoes ( a definir) da ao proprietario nao so ‘a correspondente fraccao do valor da Companhia como como assento na Direccao , ou Comissao Directiva , que determina e coordena as actividades. Ate aqui nada de novo, a nao ser talvez o facto de eu querer ultrapassar a CMVM pela direita. Nao faco segredo disso e se me for representado que ‘e claramente ilegal , inviavel e arriscado , ha outras opcoes. Os activos sao moveis.
Um determinado numero destas Accoes A da igualmente direito a um determinado tempo de uso dos barcos , que pode ir de horas a meses.
Estas accoes podem ser compradas com dinheiro ou com tempo e trabalho.Como ‘e facil de perceber , este vai ser um processo que envolve muita gente e distintas pericias, e o pagamento deste trabalho pode ser feito em accoes.Tambem nao ‘e novo.
2-Titulos temporarios.Estes nao dao propriedade da Companhia , nem votos na direccao mas compram tempo de uso dos barcos. Uma pessoa pode ir juntando titulos como num esquema de poupanca e gasta-los como entender , quando entender , mediante a localizacao e o programa dos barcos.Pode ser alguem que compra 20E por mes e no fim de um ano faz um cruzeiro de fim de semana a Sesimbra ou um curso basico de vela , ou compra 100E e ao fim de um ano vai passar uma semana a mergulhar nas Formigas, ou ao fim de dois uma semana a surfar em Fernando de Noronha.Uma turma de Historia junta-se e compra uma aula flutuante no Tejo. Os valores sao puramente inidicativos e a flexibilidade ‘e total, porque esses titulos podem ser vendidos tal como comprados.’E uma especie de time sharing mas muito mais flexivel e variado, e acessivel a a qualquer pessoa.
Nesta altura a Companhia precisa de gente especializada em gestao ; em marketing ; em web design; e direito tambem da sempre jeito. E claro , marinheiros, nada se faz sem eles, desde gente com umas nocoes basicas e pouca experiencia a velhos lobos do Mar E sempre de ideias.Nao posso afinar muito mais isto sem a ajuda de algum com conhecimentos mais profundos da materia , eu ‘e mais barcos…..Por isso se vir que as coisas podem tomar forma e se houver receptividade vou em Fevereiro ou perto ao Maranhao, onde numa praia perdida vive ha 40 anos um portugues que constroi os mais simples e eficientes catamarans que eu conheco.
As Expedicoes
A Companhia vai-se dedicar a varios empreendimentos. Um barco tal como os que estao projectados pode ser a base de uma grande variedade de actividades, em aguas muito diversas. Aqui fica a lista preliminar. Depois dessa, fica so a faltar a explicacao da forma de organizacao , exploracao e gestao, mas acho que ja da uma boa nocao do que se trata
-Primeiro , Escola de Vela , alto Mar e Costeira.
-Depois , cruzeiros simples e em terceiro , e o mais importante , Expedicoes Oceanicas, Historicas , Cientificas , Humanitarias , de Surf , de Mergulho.
Mais detalhadamente:
-A introducao ‘a navegacao a vela , nao so para curiosos e iniciados pagantes como para uma multidao de miudos com vidas dificeis que em condicoes normais nunca sequer se podem chegar perto de um barco. Infelizmente nao ha falta deles numa grande quantidade de instituicoes sociais e uma tarde passada a navegar no Tejo custa perto de nada e pode fazer uma diferenca tremenda nas vidas desses miudos.Esta parte obviamente nao tem fins lucrativos.
-Alem disso um programa de introducao para quem tem curiosidade e inclinacao naval. Sem um foco intenso em curriculos para obter licencas de patrao de costa ou do que seja ( ate porque nao vale a pena , os curriculos nacionais nao sao adequados a este seculo) , simplesmente para dar um primeiro ( e segundo…) contacto com o Mar , ou refrescar aqueles que deixaram o interesse esmorecer.
-Um nivel seguinte com um programa de instrucao para quem seguir uma via profissional na nautica
-A seguir , nada inovador mas igualmente importante, simples cruzeiros costeiros , nada mais do que aluguer dos barcos com ou sem tripulacao para “passeios” curtos. Isto ‘e banal , mas a diferenca vai estar em como ‘e organizado , onde estao localizados os barcos ( em Sesimbra…ou no Mindelo) e como se compram e vendem estes cruzeiros.
-O mais importante , as Expedicoes.
1, Oceanicas , como uma travessia Atlantica ou um Tringulo das Ilhas ( Lisboa , Madeira , Acores , Lisboa) . Uma experiencia unica para a maior parte das pessoas.Fiz umas pequisas , os precos que sao cobrados actualmente por viagens dessas por operacoes inglesas , francesas ou espanholas sao simplesmente imorais.Nao admira que pouca gente sequer pense em fazer isso
2,Historicas . Largar de Lagos para dobrar o Cabo Bojador ou , porque chegaremos la , demandar as Indias.
3 ,Cientificas. Simples exemplo , a Universidade dos Acores tem um departamento de Biologia Maritima que esta sempre a lutar com falta do meio principal para o seu trabalho: barcos. O custo para a Universidade de alugar um dos barcos por 15 dias , especialmente um barco como os da Companhia , ‘e mais do que atractivo , especialmente quando comparado com o mercado existente , esclerotico, atrasado , mesquinho e sem visao.
3, Humanitarias. Sabem quanto custa levar duas toneladas de livros escolares ate Bissau , por exemplo? Falem com uma ONG , pecam um orcamento. A Companhia das Indias pode faze-lo por um terco.Garanto.
4,Surf e Mergulho.Os adeptos destas duas actividades sabem bem que muitos dos melhores lugares para a pratica sao so acessiveis por barco. A Companhia vai la, e pode la ficar por uma semana.Seja onde for.
Alem destas actividades , essencialmente lucrativas , ha outra muito importante que ‘e criar um espaco de estudo e discussao sobre as Descobertas. Porque ‘e diferente estudar e discutir viagens maritimas em navegacao ou enquanto se prepara uma expedicao do que nos bancos da escola. Porque se pode efectivamente ir comprovar e experimentar como era.
E ‘e isto sumariamente , a descricao das actividades a que a Companhia se propoe. Falta-me explicar a forma de organizacao e o modelo de exploracao, e ver o que acontece…..