Arquivo de Setembro 29th, 2007

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Set
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A Armada

Acabei aquele que ‘e provavelmente o melhor livro de Historia que alguma vez li. Chama-se “The Armada” , e ‘e , naturalmente , sobre a frota que ficou conhecida como La Invencible Armada  que em 1588 Filipe II mandou para o Canal da Mancha com o objectivo ultimo de invadir a Inglaterra.Foi publicado nos Estados Unidos em 1959 , o autor chama-se Garret Mattingly  e ‘e considerado o estudo definivo.
As razoes pelas quais andei duas semanas absorvido naquilo sao varias.Uma , alem de ser um academico consumado e de ter revolvido todas as fontes desde o espolio imenso do Arquivo Geral de Simancas ate cartas privadas de marinheiros  ingleses o homem consegue imprimir um ritmo e um estilo que fazem com que o livro se leia quase como um romance, as vezes como se esivessemos a ver um filme.Somos testemunhas da execucao de Maria , Rainha dos Escoceses. Espreitamos Filipe II na solidao monastica do Escorial , senhor de meio Mundo.Corremos as barricadas de  Paris quando o Duque de Guise humilhou Henrique III. Entramos com Drake ‘a bolina na Baia de Cadiz para pegar com os Castelhanos.E depois tomar  Sagres. Acompanhamos Alexandre Farnese , Duque de Parma e o maior genio militar da epoca , a inspecciconar as obras do cerco de Sluys , nos Paises Baixos com a sua coleccao de mercenarios que dava pelo nome de Exercito Espanhol.
Do Cais das Colunas ( ou do que estaria la antes de 1755) vimos as preparacoes dos mais de 150 navios que constituiam a Armada.Entre eles 10 galeoes portugueses , a perola e o esteio do Imperio. Vimos a defesa a ser praparada em Plymouth , e o trabalho de diplomacia e espionagem envolvido num tempo em que as noticias levavam pelo menos 10 dias entre Londres e Madrid e os pulpitos das igrejas faziam o papel da televisao hoje em dia.Sentimos a angustia do velho Duque de Medina Sidonia ao qual foi confiado o comando da Empresa com a frota ja em Lisboa, um comando que o Duque nao queria nem se sentia confiante nem capaz de exercer mas nao podia  recusar.Obrigacao da nobreza.Vimos o fanatismo religioso que permeia toda a epoca , os augurios , profecias e sermoes , o papel pernicioso do clero ( 150 padres e frades viajaram com a Armada ) , sempre pronto a instigar violencia , a distorcer os factos e oferecer os conselhos mais cretinos mas raramente disposto a expor-se ao minimo perigo ou desconforto.A Fe’ inabalavel dos dois lados , numa epoca em que todos eram fundamentalistas e que se resume nas palavras de Juan Martinez de Recalde, provavelmente o comandante mais experiente da Armada ,  nas vesperas  da partida e consciente da superioridade naval dos Ingleses  : ” Largamos para Inglaterra na esperanca confiante de um milagre”.
A seguinte razao ‘e que  accao se passa em aguas que me sao familiares, desde o Golfo de Cadiz ao Cabo de S.Vicente , da bela Corunha a Ushant ,do Cabo Lizard a Calais.
A terceira razao ‘e uma especie de masoquismo historico , o estudo vem confirmar a minha crenca de que o Fim comecou em Alcacer Quibir, e durante todo o livro emergem as pequenas provas da miseria e desgraca que foi para Portugal o dominio dos Filipes.Como a sangria e pilhagem dos ja magros recursos e o desvio da que foi em tempos , possivelemente, a mais poderosa frota do Atlantico para a Empresa de Inglaterra  a caminho da destruicao , sangue e tesouro portugueses  lancados contra o aliado de sempre , a mando do inimigo de sempre.
No meio da tristeza do desperdicio , da raiva contra o Destino que nos perdeu a Dinastia , a Independencia e o Imperio , resta o que nunca se perde, a honra e o lugar que vai ser sempre nosso na Historia .
Fica esta  frase , no original porque me soa melhor:
” The galleons of Portugal were manned and commanded by veterans who would scarcely have panicked at the mere noise of a cannonade.Throughout all the rest of the fighting  no squadron in either fleet behaved with greater gallantry.”




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