Em Abril passado o DN incluiu um suplemento intitulado “Mar Nosso” , que eu só agora vi.Abre com um texto do deputado Pedro Quartim Graça , nome que eu vou registar porque nesse primeiro artigo ele identifica claramente os desafios , potencialidades , limitações e a importância para Portugal do Mar e de todas as actividades a ele ligadas . O deputado defende uma “estratégia nacional para o Mar” , coisa que tarda 30 anos , mas mais vale tarde que nunca. Toda a gente ligada ao meio conhece os problemas com que se depara o desenvolvimento da Náutica no nosso país, que vão desde falta de portos naturais e áreas propícias à vela de cruzeiro até à teia burocrática que envolve tudo.
Historicamente quer-me parecer que “Portugal país de Marinheiros” é difícil de justificar se tivermos em conta os números totais da população e a dificuldade constante e quase invariável em encontrar tripulações suficiente e adequadas para as frotas. Hoje em dia o problema dos recursos humanos é diferente e relaciona-se mais directamente com o mercado, que naturalmente partilha características do país: pequeno , pobre, sobre regulado , avesso ao risco , conservador , limitado e desorganizado . Sobretudo desorganizado, porque muitas vezes confunde-se coordenar com complicar e multiplicar os processos. Nunca fez sentido para mim o ministro das Pescas ser o mesmo que o da Agricultura , não concebo como é que isto não só faz sentido para muita gente como é assim há uns 30 anos. Só há pouco tempo se criou uma Secretaria de Estado para o Mar , é uma clara demonstração da noção que os políticos contemporâneos têm da importância do Mar.
Mas não faltam pessoas nem vontades e o potencial nacional é extraordinário , passando por coisas como a naturalidade da instalação da Agência Europeia da Segurança Marítima Europeia em Lisboa . Como interessados no Mar , profissionais ou amadores , não podemos estar à espera do governo para resolver os problemas ou dinamizar o sector, porque se levou 30 anos a perceber a importância de uma entidade governativa autónoma para os assuntos do Mar, pode demorar 10 para que alguma coisa aconteça…talvez tarde demais.
O resto do suplemento “Mar Nosso” é em parte ocupado por queixas contra as novas restrições na Arrábida e outros lamentos uns mais justificados que outros , mas o que é certo é que na maior parte das vezes as pessoas propunham soluções ou pelo menos mostravam vontade de se envolverem no processo. É isso que faz falta , sobretudo deixar de olhar para o umbigo e pensar no Mar em geral como uma causa maior.
Da minha parte, vou exercer os meus direitos de cidadão interessado e vou contactar o deputado Pedro Quartim Graça , que escreveu muito bem sobre o estado actual do Mar, e saber o que é que ele , que pode, faz ou tenciona fazer.
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