Sempre me intrigou o episódio em que Francisco I de França se referiu a D.Manuel como “O Rei Merceeiro” e como esse epíteto se espalhou e continua a aparecer regularmente.Na maior parte das referências que conheço de historiadores ingleses ou americanos, lá aparece o “Grocer King” antes de sequer analisarem bem o que lhe valeu o outro cognome , o de Venturoso.
Em francês , “épicerie” quer dizer “mercearia” , mas acho que Francisco I queria dizer “Rei das Especiarias” , porque não me parece que no século XV o conceito de “mercearia” ou ” épicerie” tivesse muito a ver com que é hoje, e um “épicier” era aquele que lidava , negociava , especiarias. Que nessa altura tinham uma importância também muito distinta da que tem hoje o abastecimento mundial de cravinho ou pimenta.
Parece-me que o Rei de França tinha mais inveja que outra coisa , porque não era qualquer rei que mandava rinocerontes ao Papa ou podia reclamar para si a suserania dos confins do mundo conhecido.As traduções e os mal entendidos linguísticos podem dar origem a visões negativas ou depreciativas , sem necessidade nenhuma. Gostava que os historiadores portugueses , quando se referissem ao “cognome internacional” de D.Manuel I usassem a forma mais fiel, parece-me a mim , tanto ao espírito como à letra do epíteto original, O Rei das Especiarias.
Pode perfeitamente ser que eu esteja enganado e que épicier em francês do séc XV se refira mesmo ao lojista , ao merceeiro , ao proprietário de uma loja de mercearias , e pode ser que no fim de contas Rei Merceeiro ou Rei das Especiarias vá dar ao mesmo.Não sei, acho estas pequenas questões interessantes.
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Para quem quer refrescar a memória sobre o Merceeiro Venturoso e o seu reinado , está aqui: http://www.rtp.pt/gdesport/index.php?article=58&visual=6
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